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sábado, 2 de abril de 2011

Woody Allen - Whatever Works


Eu nunca ri tanto com um filme - não que eu lembre pelo menos - na vida. 

Boris é... não sei explicar, na verdade não existem palavras pra defini-lo, ele é simplesmente Boris e me identifiquei muito com as teorias loucas dele, e olha que maravilha: eu não sou a única pessoa que odeia pessoas (a maioria das pessoas, pelo menos; mas no fim todas são totalmente dispensáveis). Evan Rachel Wood está tão diferente, quase a reconheci de primeira não fosse a falta de close - digo, em momento algum Woody fotografou seu rosto - nem o do Larry David pra ser justa. Boris é o que todo mundo é por dentro, talvez não exista alguém com todos aqueles "problemas", mas alguma coisa do Boris todos nós temos. Eu detesto pessoas tanto quanto o Boris, acho a humanidade um saco e não vejo a hora do mundo acabar, entre outras coisas; é que o Boris passa o filme todo falando tudo que o ele está pensando- tudo mesmo - e é tanta coisa que até eu fiquei perdida, o fato é: fiquei feliz em conhecer ele, estou feliz por não ter morrido antes de ter visto esse filme e rir de Boris, Melody, sua mãe, seu pai, os amantes da mãe de Melody... todo mundo haha. Vou ver o filme de novo, Boris é tipo Chaves e Chris: você vê os episódios mil vezes e ri das mesmas piadas e situações todas essas mil vezes. 

Só anotei uma quote: "Na teoria, somos perfeitos. Mas a vida não é só teoria." Se eu fosse anotar todas as quotes boas eu teria que digitar todo o texto do Boris. Ah sim, Boris não lembra um pouco Sue? Ou Sue lembra um pouco Boris?

Trailer



sábado, 5 de março de 2011

Sam Mendes - Revolutionary Road


Mais uma vez eu me pergunto: por que não vi esse filme antes? Ai ai.

Quando se é jovem nos sentimos a pessoa mais importante e especial do mundo, e quando alguém (o mala) desfaz de algum ato nosso, imediatamente pensamos: você não sabe quem eu sou, o mundo ainda não sabe quem eu sou e do que sou capaz. Isso já aconteceu, acontece e ainda acontecerá com todo mundo. Ou pelo menos àqueles que têm alguma veia artística. Eu não consigo imaginar outros atores senão Kate e Leo para esses personagens, o casal que na minha infância eram as pessoas mais lindas do mundo estavam tão perto e tão distantes da imagem que minha mente hoje ainda infantil tinha. Os olhos eram os mesmos, os de Kate para com Leo pelo menos. Os Wheeler podiam ser qualquer pessoa, as expectativas de April podiam ser de qualquer ser humano que sonha e a "covardia" de Frank foi apenas interpretada errada, ou o meu ponto de vista é outro, acredito que ele foi apenas realista com os fatos, ou April teve a idéia certa na hora errada, não sei.

Em algum momento eu lembrei de American Beauty, a ilusão da casa perfeita + família perfeita tão clichê na idealização dos estadunidenses, digo, é o que vejo na sessão da tarde, as dificuldades que aparecem na vida deles é: o filho que quer que o cachorro durma dentro de casa, ou um agente policial disfarçado de vovó cheinha que "invade" a casa pra descobrir as falcatruas do chefe da família, ou a esposa que gasta dinheiro demais, enfim, o resto é aparentemente perfeito e, assim como American Beauty, Revolutionary Road mostra que um casal jovem e divertido que mora na casa mais perfeita da rua e têm filhos adoráveis não são tão felizes quanto a cultura estadunidense faz parecer que é. A única ponte entre American Beauty e Revolutionary Road é Sam Mendes que, se eu não tivesse pesquisado na wikipédia, diria que a história tinha sido escrita por ele. 

O personagem de Michael Shannon é o mais interessante, é como se ele fosse o grito da consciência do casal, aquela voz que todos nós temos: que nos diz a verdade que sabemos e não queremos ouvir. E por dizer a verdade April e Frank, como qualquer ser humano "normal", se irritam e procuram alguém pra pôr a culpa do fato "por que que as coisas não saem do jeito que eu quero e por que que a minha vida não é de tal jeito?". A pergunta é: Os Wheeler são de fato perfeitos e não conseguem enxergar que eles são tudo aquilo que almejaram ser ou são de fato iguais a todo mundo, não têm nada de especial? 

Não quero falar muito sobre a história, só quero deixar arquivado aqui que senti a mesma coisa quando vi American Beauty: fiquei extasiada, parada vendo os créditos enquanto não pensava em absolutamente nada, na verdade só agora escrevendo é que comecei a refletir, e cara, eu adoro filmes que me deixam em êxtase e depois causam um turbilhão de emoções e uma corrente criativa e reflexiva de pensamentos. Acho que é esse o sentimento que esses dois filmes me causam: correntes de pensamentos reflexivo e criativos. I LOVE IT, LOVE - esse é o John gritando. 

Não tem quotes no fim do post, se houvesse eu tinha que escrever todo o roteiro aqui.


Trailer


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