quinta-feira, 19 de maio de 2011

Eu Vou Ler...


Livros novos, êêê! Perdi a conta de quanto me esperam na geladeira, enfim:

50 Contos de Machado de Assis 
1822 - Laurentino Gomes (ainda nem peguei no 1808...)
Contos Completos de Lima Barreto

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ally Condie - Destino

 NO FUTURO, A SOCIEDADE ESCOLHE:

ONDE VOCÊ MORA. O QUE VOCÊ COME. ONDE VOCÊ TRABALHA.
COMO VOCÊ SE DIVERTE. COM QUEM VOCÊ SE CASA.
QUANDO VOCÊ MORRE.
Matched
Autor(a): Ally Condie
Editora Br: Suma de Letras
Páginas: 238
Gênero: Literatura Estrangeira, Romance 


Sinopse:
Na distopia criada pela autora, o futuro parece muito tranquilo. Os indivíduos têm acesso à educação, emprego e todo o bem-estar que um governo pode proporcionar - as ruas são extremamente limpas e organizadas e os meios de transporte são moderníssimos. Mas é esse mesmo governo, a quem todos chamam agora de Sociedade, é que decide onde se deve morar, o que comer, onde trabalhar, como se divertir, com quem se casar e quando se deve morrer.
"Quando penso sobre de onde veio a idéia para este livro, tenho que dar todos os méritos ao meu marido", revela a autora. "Nós estávamos tendo uma conversa sobre casamento, e ele perguntou: e se o governo pudesse decidir com quem as pessoas deveriam casar, e se este sistema fosse realmente excelente? E então nós começamos a falar sobre a idéia das pessoas serem divididas por pares."
Em "Destino", primeiro livro de uma trilogia, a protagonista Cassia tem absoluta confiança nas escolhas que a Sociedade lhe reserva. Ter o futuro definido pelo sistema é um preço aparentemente pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável e pela escolha do companheiro perfeito para formar uma família. Como a maioria das meninas, aos 17 anos, ela já está pronta para conhecer seu Par. Após o anúncio oficial, a menina sente-se mais segura do que nunca. Romântica, sonhava há anos com o momento do Banquete do Par, a cerimônia em que a Sociedade aponta aos jovens com quem irão casar. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander - bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade.
Na cerimônia, Cassia recebe um microcartão onde estão armazenadas todas as informações que precisa saber sobre seu futuro marido. Mas ao inseri-lo no terminal de sua casa, tem uma grande surpresa: a tela se apaga, volta a se acender por um instante, revelando um outro rosto, e se apaga de novo. É Ky Markham, um antigo vizinho, quem ela vê. Neste instante, o mundo de certezas absolutas que conhecia parece se desfazer debaixo de seus pés. Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. Escolher entre Xander e o sensível Ky, entre a segurança e o risco, entre a perfeição e a paixão.
A partir deste momento, a autora cria um clima de angústia e expectativa em função da culpa que a adolescente sente por estar se desviando do que a Sociedade espera. Ao contrário de outras obras de ficção científica, o livro não é centrado em cenas de ação. "O universo de Destino foi inspirado em uma série de pequenas experiências ao longo de minha vida. Coisas aparentemente simples, mas que me marcaram de forma profunda, como aquela conversa com meu marido sobre o futuro e o meu baile de formatura. E outras coisas ainda mais genéricas, como a sensação de se apaixonar ou ter o primeiro filho. Acho que o meu livro é diferente das obras do mesmo gênero exatamente por estar centrado em questões mais introspectivas."

Opinião:
No futuro? É meio complicado falar disso, ninguém tem prova concreta e você corre o risco de ser chamado de lunático quando diz que somos controlados por pessoas/sociedades que por sua vez controlam governos e mídias. Há vários sites, blogs e videos no YouTube que contam diversas teorias, é difícil de acreditar em algumas (ou como dizem: somos educados a pensar que tudo não passa de ficção, que essas coisas só acontecem em livros e filmes) delas, mas se você observar bem por quê que depois de tanta tecnologia, tanta evolução, nós, seres humanos, temos regredido tanto? Por que consumimos coisas desnecessárias? Por que nos alimentamos mal? Por que não evoluímos no "sentido humano" (alma)? Por que tanta violência? Por que...? Por que...? São muitas as perguntas que pode nos fazer parar pra pensar e começar a entender que sim, de alguma forma e pra algum propósito nós somos manipulados. 

Não vou falar de nenhuma dessas teorias, não sei o que é verdade e o que é mentira, só sei que tudo é possível e não devemos duvidar de nada, descartar nenhuma hipótese por mais insana que pareça ser. O próximo livro que lerei será 1984 do George Orwell, comprei mês passado mas só vou começar hoje, e embora eu saiba a excência questiono: será que o(esses) autor(autores) descreveu uma sociedade tão distante da nossa, será que não temos um grande irmão que nos vigia, dita as regras pro "nosso bem"? O pior disso tudo não é a desconfiança, é desconfiar, ignorar, abrir um livro e dar de cara com essa  realidade - eu daria tudo pra voltar a pensar que é tudo ficção porque é realmente assustador.

O livro... 

No futuro imaginado por Ally Condie a Sociedade (governo) tem controle sobre absolutamente tudo: alimentação, estudos, trabalho, música, obras de arte, poemas, livros, casamento e morte. A alimentação e casamento são monitorados para que cada vez mais pessoas saudáveis nasçam, o par perfeito é designado a partir de combinações perfeitas/quase-perfeitas de genes e a alimentação é 100% saudável (não existe qualquer distúrbio alimentar ou doenças causadas pela falta ou excesso de comida). Todas as músicas, livros e poemas foram reduzidos a 100: houve uma seleção dos 100 melhores poemas, 100 canções, 100 livros... essa seleção para a redução de obras foram justificadas com o "excesso de informação" que as sociedades anteriores à ela (nós ou nossos filhos e netos) vinham sofrendo e as doenças conseqüentes à esse excesso. O trabalho é designado de acordo a sua ''capacidade'': um trabalho de observação e seleção que funcionários específicos fazem com base na observação e na coleta constante de dados sobre as pessoas. A morte é perfeita: sem dor, aos 80 anos, ao redor da família, sua comida preferida e, se não cometer infrações, com o direito de nascer de novo num futuro próximo a partir da coleta de DNA.

O leitor começa a descobrir tudo isso ao mesmo tempo que Cássia, uma adolescente que acabou de fazer 17 anos e conseqüente conheceu seu par, que por "sorte" foi o seu melhor amigo Xande. Cássia mora num bairro perfeito, tem os pais perfeitos, o par perfeito, um irmão não tão perfeito assim (irmãos são sempre pentelhos), até quando, por curiosidade, abre o microcartão que devia conter apenas os dados de Xande e vê o rosto de Ky - uma aberração que não tem o direito de ter um par. Cássia começa a se apaixonar por Ky e começa a ver que a sociedade em que vive não é tão perfeita quanto parece e após uma série de atitudes consideráveis para 'anotações' é "convidada" a se retirar de Oria e, aparentemente, a sua busca por Ky e sua luta contra a sociedade começa (no próximo livro, haha).

Além das teorias que citei no início do texto (até quando eu leio acho loucura) há vários detalhes interessantes pra observarmos e o que mais me chamou atenção foi a tecnologia que, se pararmos pra pensar, não destoa muito da nossa realidade: ELES NÃO SABEM ESCREVER! Digo, não gramaticalmente falando, mas à mão. Eles não escrevem à mão, apenas nos Escrevinhadores - seria uma espécie de máquina de escrever + computador, só que mais simples e portátil, a autora não descreve bem, mas pelo que entendi é mais ou menos isso. Isso acontece hoje, não? As redes sociais ''acabaram'' (eu acho que apenas evidenciou o descaso com a educação) com a gramática e a tecnologia nos forçou - pela falta de tempo, agilidade, busca constante de informação, "agregação" de conhecimento e uma outra série de coisas -, a não viver sem isso: "é muito mais rápido digitar do que escrever" FATO. O Word faz tudo por nós: corrige erros de gramática, ortografia, separar sílabas... gente, no papel eu nem sei mais como separar sílabas, sério. Detesto papel e caneta, minha escrita flui muito mais no Word pela facilidade de escrever > ler > revisar > apagar > ler de novo e pela segurança que a máquina me dá com o português. 

Enfim, esse livro dá muitos tópicos de conversa, perguntas e pesquisas. É interessante, mas é só mais uma ''histórinha'' com base em outras ''histórionas'', é apenas mais do mesmo. De mais do mesmo eu prefiro a série Feios de Scott Westerfeld, a excência é a mesma, porém com emoção, suspense e um pouco de aventura.

Quotes:
É estranho como nos agarramos a pedaços do passado enquanto aguardamos por nossos futuros.
(Pág. 12)

Como podemos apreciar qualquer coisa por completo quando somos sobrecarregados por coisas demais?
(Pág. 23)

A cada minuto que você passa com alguém, você entrega a outra pessoa uma parte da sua vida e toma um pouco da dela. 
(Pág. 45)

- Não fica chato? - A voz límpida da mulher que canta a canção se ergue sobre nós. - Já ouvimos as Cem Canções tantas vezes. 
-Às vezes são diferentes - diz Ky.
- São diferentes quando você está diferente.
(Pág. 100)

Só porque eu sonhei com aquilo, não significa que seja verdade.
(Pág. 105)

Ele não tinha palavras para mim. Por que eu deveria dar as minhas para ele?
(Pág. 125)

Eu costumava achar graça do desprezo mal disfarçado que o Oficial sente por nós. Hoje, eu o entendo. Sinto desprezo quando penso em como subimos nossas pequenas colinas quando os Oficiais mandam. Em como entregamos nossos bens mais preciosos quando pedem. Em como jamais, jamais, protestamos.
(Pág. 139)

- As palavras não são tranqüilas - diz Ky.
- Eu sei.
- Então por que elas fazem eu me sentir calmo? - pergunta Ky, espantado. - Não compreendo.
(...)
- Acho que é porque quando nós ouvimos elas, sabemos que não somos as únicas pessoas a se sentirem assim.
(Pág. 141 e 142)

Lembro das palavras e dos desenhos de Ky e percebo que nenhum lugar é completamente bom. Nenhum lugar é completamente mau. Andei pensando em termos absolutos. Primeiro, acreditava que nossa Sociedade era perfeita. Na noite em que vieram buscar nossos artefatos, acreditei que era perversa. Agora simplesmente não sei o que dizer.
(Pág. 155)

Uma coisa é fazer uma escolha, outra é nunca ter a chance. Sinto uma solidão fria e aguda dentro de mim. Como seria ser só? Saber que nunca poderia ter outra escolha?
(Pág. 158)

E quando me encontrar e perguntar o que estou fazendo, vou dizer a ela e a todo mundo o que eu sei: estão nos dando pedaços da vida real em vez da coisa inteira. E vou dizer a ela que não quero minha vida em amostras e retalhos. Uma provinha de tudo, mas uma refeição de nada.
Aperfeiçoaram a arte de nos dar só a liberdade suficiente. Suficiente para que, quando estamos a ponto de morder, nos ofereçam um ossinho e então rolemos, de barriga para cima, à vontade e saciados...
(Pág. 163)

Será que o poeta sabia como tinha sorte, por ter palavras tão lindas e ter um lugar para colocá-las e guardá-las?
(Pág. 179)

Por que algumas coisas são mais fáceis de escrever do que de dizer?
(Pág. 181)

É um equilíbrio delicado, dizer a verdade: o quanto dividir, o quanto guardar, que verdades ferem mas não arruínam, quis aquelas que criam feridas profundas demais para sarar.
(Pág. 233)


domingo, 8 de maio de 2011

Gregório de Matos - A Instabilidade das Cousas no Mundo

Foto: weheartit.com


Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol e na luz, falta a firmeza,
Na formosura não se crê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Me identifiquei muito com esse texto, tipo, sempre questiono quando falam "ah é a vida", detesto ouvir essa frase. Eu sempre pergunto por que tenho que passar por tais coisas quando outras pessoas não, daí me dizem "ah é assim mesmo, é a vida". Bom eu não me conformo com ''é a vida'', pra que estarmos vivos se não podemos usufruir de belas vistas, bebidas, comida; direitos civis, arte e cultura? Ou simplesmente de verdadeiros amigos e amor conjugal? Traduzindo: se a vida não é boa, o que estamos fazendo aqui afinal?

Gregório de Matos nasceu em Salvador (êê, não temos só Jorge Amado de escrito-baiano-importante não!) em 1636, foi advogado e poeta. É considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa.

sábado, 7 de maio de 2011

The Vampire Diaries, 2x21 - The Sun Also Rises



Há muito tempo (acho que desde o último epiódio da 1ª temporada) que eu não me empolgava tanto com um episódio de Vampire Diaries. Me decepcionei bastante com a série (não só por Delena) e só tenho visto por causa do meu amado Damon, porque a primeira temporada foi, NA MINHA OPINIÃO, melhor que a primeira.

Elena, Caroline, Matt, Bonnie e todos os outros personagens "normais" entraram de cabeça no mundo místico de Mystic Falls .Sinto falta da normalidade, de algumas pessoas não terem idéia do que realmente acontece na cidade. Na primeira temporada Elena e até mesmo Stefan tentavam manter as aparências de uma vida normal, coisa que eu achava o máximo e muito mais interessante do que na 2ª temporada TODOS ficarem sabendo sobre a existência de vampiros, e quase descobrirem sobre bruxas e lobisomens e até sobre Klaus - que porra é essa de híbrido? Achei ridículo. 

Katherine foi uma das maiores decepções, pensei que ela fosse ser de fato uma vilã só que daí aparece Elijah (até aí tudo bem) e Klaus com essa palhaçada de híbrido, WTF? Os produtores podiam revelar isso só na terceira temporada, ficou super cagado isso tudo junto. Na verdade o que aconteceu foi excesso de informação: as coisas mudaram muito rápido, a vida dos personagens mudou muito desde a primeira temporada. O núcleo humano deixou sua vida humana de lado pra enfrentar lobisomens e vampiros, lobisomens apareceram e desapareceram muito rápido também, não me conformo hoje com a morte de Mason. Seria muito melhor termos só lobisomens e Katherine como vilões na 2ª temporada e Elijah e Klaus apenas na 3ª temporada. Os comentários do pessoal é que TVD tá o máximo e blábláblá, EU sinto falta do romantismo,da "calmaria", da regularidade e coerência que foi a primeira temporada.

O episódio de hoje foi o melhor (os primeiros episódios também foram bons) da 2ª temporada até agora. Suspense, emoção, um pouquinho de Delena e toda a maldade que os vampiros são capazes, e Bonnie... que era uma das minhas favoritas na outra temporada. Me emocionei muito com Jenna e John, e até com Elena e Stefan, Damon foi um fofo, altruísta e totalmente cavalheiro com Elena, Bonnie foi o que já foi um dia e Alaric também. O principal é: há muito tempo eu não ficava ansiosa pro próximo episódio de TVD, e isso é bom eu acho, mas NADA vai superar a minha ansiedade de Maio do ano passado, quando eu tive que esperar três meses agoniando, quase arrancando meus cabelos de impaciência pra saber o que aconteceria com Delena e com Mystic Falls depois da chegada de Kat (os rumores eram que Stefan ainda gostava de Katherine, mas não foi nada disso que vimos). 

Enfim, tô aniosa pro próximo episódio e torcerei muito para que TVD volte a me empolgar como antes.

Promo 2x22




Outra coisa: Tudo bem que Ian tá bem mais gostosinho nessa temporada, mas acredito que 500% dos telespectadores prefeririam o Damon da 1ª temporada, tô errada?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Rubem Braga - A Palavra

Foto: weheartit.com


     Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito - como não imaginar que, sem querer, feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas, imprudente ofício é este, de viver em voz alta.
     Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com sua vida de cada dia; sonhar um pouco; a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.
Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade, porque senti no momento - de depois esqueci.
     Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa no piano; que pusesse a gaiola perto quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de futebol... mas o canário não cantava.
     Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída e assobiou uma pequena frase melódica de Beethoven - e o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma secreta ligação entre a alma do velho artista morto e o pequeno pássaro cor de ouro?
     Alguma coisa que eu disse distraído - talvez palavras de algum poeta antigo - foi despertar melodias esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que, de repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste tivesse sorrindo. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças.



Achei tão lindo e tão simples esse texto (crônica na verdade, retirado de Ai de ti, Copacabana) que a profª de Prod. Textual usou ontem no cursinho que decidi postar aqui, não só esse mas várias outras crônicas que eu julgar interessante. Rubem Braga nasceu em 1913 no Espírito Santo, foi jornalista, cronista e crítico literário; faleceu em 1990 no Rio de Janeiro.

sábado, 30 de abril de 2011

Carlos Saldanha - Rio


Rio
Direção: Carlos Saldanha
Ano: 2011
Gênero: Animação
Elenco: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx, Will.i.Am

Sinopse: Blu (Jesse Eisenberg) é uma arara azul que nasceu no Rio de Janeiro mas, capturada na floresta, foi parar na fria Minnesota, nos Estados Unidos. Lá é criada por Linda (Leslie Mann), com quem tem um forte laço afetivo. Um dia, Túlio (Rodrigo Santoro) entra na vida de ambos. Ornitólogo, ele diz que Blu é o último macho da espécie e deseja que ele acasale com a única fêmea viva, que está no Rio de Janeiro. Linda e Blu partem para a cidade maravilhosa, onde conhecem Jade (Anne Hathaway). Só que ela é um espírito livre e detesta ficar engaiolada, batendo de frente com Blu logo que o conhece. Quando o casal é capturado por uma quadrilha de venda de aves raras, eles ficam presos por uma corrente na pata. É quando precisam unir forças para escapar do cativeiro.

Opinião: Eu não pretendia ver esse filme - talvez algum dia em dvd -, mas ainda assim nunca tive a intenção, porééééém uma série de pequenos acontecimentos (chuva e engarrafamento me atrasaram para a primeira sessão de Água Para Elefantes) me fizeram comprar o bilhete, mesmo com 10 minutos de filme adiantado. É engraçadinho e deixou muito a desejar, se o filme fosse 100% feito pelo Carlos Saldanha tenho certeza que seria melhor. O tucano me lembrou aquela música "Vou não, posso não, minha mulher não deixa não" haha, achei bem fiel à nossa realidade o relacionamento dele com a D. Tucana. Blue é tão sem graça, imaginei a Jade fácil fácil como a Anne Hathaway. Foi muito fácil de adivinhar que o cara das aves era, na voz original, o Rodrigo Santoro e eu juro que não sabia disso. Como assim a dentista do Rodrigo Santoro usa fantasia de escola de samba e sai dançando pela rua fora do sambódromo? Nunca fui no RJ, mas tenho certeza que ninguém usa aquelas roupas fora da Sapucaí. E o segurança? KKKKKKK. Sério, muito ridículo. As paisagens estavam lindas, mas como assim as mulheres vão de calcinha boyfriend pra praia no Rio? WTF?

Aham Cláudia, senta lá!
E o Blue dizendo que odeia samba? Bom, eu tbm detesto pagode/axé e prefiro tango à samba, se formos falar de música regional. Não tenho muita paciência pra animação, pela previsibilidade e por não me chamar atenção - pouca coisa tem me chamado atenção ultimamente, na verdade. Enfim, como eu não esperava ver o filme não posso dizer que fiquei desapontada, mãããs acredito quando dizem pra termos medo com esse interesse dos EUA no Brasil  - e não venha me dizer que o Brasil é um país do futuro porque isso não cola com os estadunidenses, tenho certeza que todo esse interesse tem segundas intenções.


Trailer


Francis Lawrence - Water For Elephants


Water For Elephants
(Baseado no livro de Sara Gruen, 2006)
Direção: Francis Lawrence
Ano: 2011
Gênero: Drama
Elenco: Christoph Waltz, Reese Witherspoon, Robert Pattinson, Hal Holbrook, Jim Norton, Mark Povinelli, Scott MacDonald, James Frain
Sinopse: Jacob Jankowski (Hal Holbrook) já passou dos 90 anos e não consegue esquecer seus momentos da juventude nos anos 30, período difícil da economia americana, que o levou a trabalhar num circo. Foi lá, enquanto era jovem (Robert Pattinson) e um ex estudante de Veterinária, que ele conheceu a brutalidade dos homens com seus pares e também com os animais, mas encontrou a mulher por quem se apaixonou. Marlena (Reese Whiterspoon) era a Encantora dos Cavalos, a principal atração e esposa do dono do circo: August (Christoph Waltz) um homem carismático, mas extremamente perigoso quando suas duas paixões estavam em jogo.

Opinião: Confesso que esperava bem mais do que foi apresentado nas duas horas de filme, os posters lindos, o trailer lindo... é, tudo de bonito (inclusive a trilha sonora) estava só no trailer mesmo. Vou passar a acreditar que o Christoph Waltz é um cara mal porque por qual razão ele seria chamado pra interpretar o August, um personagem tão perverso quanto o Hans Landa (Inglourious Basterds)? Reese pra mim é atriz de comédia romântica, ela não combina com drama mesmo, não desceu e Marlena na minha imaginação é muito mais parecida com a descrição da Sara Gruen. O Jacob do Robert não me emocionou como o Jacob do Hal Holbrook que ficou MUITO fiel ao livro e me emocionou bastante no final. 

O livro como sempre é bem melhor que o filme, a "imagem pronta" que o filme apresenta da história não nos dá tempo de assimilar os detalhes como o livro permite. A narração e descrição de histórias por escritores é o único tipo de "lentidão" que gosto. Adaptações cinematográficas de livros/contos/crônicas só servem pra divulgar as obras originais e cinema só é bom quando a história é original. 


Trailer


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Royal Wedding - Kate & William


06:10 da manhã. A chuva é forte.
Tá frio.
Minha mãe sai pro trabalhar e diz "Maiara acorde, tô saindo... você disse pra eu te chamar."
Chove mais forte, o frio aumenta quando levanto da cama. Corro pra sala enrolada no lençol e ligo a TV, na Globo o Globo Rural e no SBT Príncipe William e Príncipe Harry se dirigiam à Abadia.

E eu me pergunto: "E a noiva? Já passou?"

Corro pro twitter, minha internet "caiu". Volto pra TV e me tranqüilizo quando os jornalistas do Jornal do SBT falam da expectativa do vestido da noiva "Como assim eu acordei cedo e não vou ver a noiva chegando? Humm, William tá bonito de farda" eu penso. Acordo minha irmã. Ela me pergunta "Cadê a noiva?" e eu "Não faço idéia, a internet caiu." 

Charles, Camilla, Pippa, James Middleton, a Rainha... e a noiva.

O.M.G!

A  N O I V A

Me apaixono pelo vestido e faço uma péssima comparação com o vestido da Cláudia Leitte. Mudo de canal e comento com minha irmã "Por que a Globo chamou a Glória Kalil? Só a Renata Vasconcellos comentando o vestido tava bom." A noiva chega na Abadia. Me apaixono pelas crianças. Acho a cauda longa demais, mas quero o meu vestido com renda!

Kate e William se dirigem ao altar. Acho Harry um fofo por olhar pra atrás e descrever a noiva pro irmão. 

Kate chega ao altar e o príncipe diz "Você está linda." e segura o riso. Eu quase choro. Kate sorri "monalisamente" e ambos, nervosos, devem estar pensando o quão serão felizes ou o quão mágico é este dia; nesse momento Kate é a mulher mais invejada no mundo porque o quanto você sonharia se casar com toda pompa e circunstância com o príncipe herdeiro e este te olhar carinhosamente e dizer "você está linda" no altar com a família chefe de estado, o vestido do sonhos e mais de 2 bilhões de pessoas te assistindo? Catherine Middleton sonhou... e conseguiu.

Kate e William dizem "sim" e...


E pra traduzir o que significa tudo o que eu disse, toda a manifestação da população britânica e mundial, um pequeno texto retirado de um tumbrl qualquer:
Kate sofria bullying. Kate tinha uma foto do príncipe William pendurada na parede do quarto dela, assim como várias outras meninas. Kate tinha o sonho de se casar com ele, assim como várias outras meninas. O percentual de matrículas da Universidade Saint Andrews cresceu 44% naquele ano, e de cada 10 alunos 9 eram mulheres. Era “impossível” chamar a atenção do príncipe no meio daquela multidão, era “impossível” ter uma chance com ele, afinal, todas elas eram plebéias. Mas nem por isso Kate deixou de acreditar… e hoje, quando ela subiu no altar, era ele quem a estava esperando.
E hoje eu aprendi que não importa. Não importa se é aquele garoto que faz seu coração disparar ou o príncipe da Inglaterra. O que importa é que nada é impossível. Não interessa quem entre no caminho, o que é seu É SEU e vai chegar no momento certo.
A vida sempre tem algo guardado pra você!
É irritante ouvir "Nossa quanto desperdício de dinheiro" ou "Que casamento fútil, desnecessário, tanta gente passando fome" e blábláblá. É justamente por isso que mais de 2 bilhões de pessoas acompanharam o casamento. Tanta coisa ruim acontecendo no mundo que não faz mal parar um dia pra ver e sonhar um conto de fada.

Porque por um dia a gente pode fingir que o mundo é perfeito, que o amor existe e que qualquer mulher pode se tornar princesa de verdade.




"E foram felizes para sempre."

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Lisa McMann - Gone


Gone foi muito mais fácil de ler do que Wake e Fade, acho que por estar um pouco mais familiarizada com o estilo da Lisa McMann. A impressão que eu tive foi que ela dividiu a história em três partes: Wake, a apresentação, Fade o clímax e Gone o desfecho da história. EU daria muito mais crédito à autora se ela tivesse feito um só livro, e acredito que muita gente pensa assim também, mas a culpa deve ser da editora dela, enfim. 

Fiquei feliz por Janie ter encontrado o pai e saber que ele não a tinha abandonado, a pior dor do mundo é a de ser rejeitada. Cabe é um fofo, sério, eu imagino muito o Keegan Allen quando ele está reconfortando a Janie... e Janie pra mim continua sendo a Miley, não tem jeito. Bom, o que mais me chamou atenção foi o Morton's Fork - "refere-se a uma escolha entre duas alternativas igualmente agradáveis, trata-se de um dilema. Também pode ser duas linhas de raciocínio que levam à mesma conclusão desagradável. Algo como 'entre a cruz e a espada'." N.T. Achei isso o máximo, essa expressão. Nunca tinha ouvido falar e adorei, eu não sei se só eu e a Janie vivem esse dilema, mas é bom saber que 'isso' tem nome, haha.

Não tenho muito o que falar sobre o livro não, é uma história triste(?) e estranhamente verdadeira, não pela parte de apanhar sonhos, mas as circunstâncias nas quais os personagens são submetidos. Não é nenhum conto de fadas, e em momento algum o livro me fez viajar, só me fez pensar que tem gente em um Monrton's Fork bem crítico. 

- Estou acendendo o fogo com minha mente, fritando o bacon com meus pensamentos mais negros e crocantes. E você achou que tinha uma habilidade especial. Pense duas vezes, senhorita.
(pág. 14 e 15)

Talvez seja mais fácil consertar corações partidos do que mãos e olhos.
(pág. 46)

Porque, com a pessoa certa, às vezes, beijar parece que vai curar.
(pág. 60)

Então, eles decidem. Decidem decidir a cada dia que passa o que virá pela frente. 
Sem compromissos. Sem grandes planos. Só a vida, a cada dia. 
(pág 191)

sábado, 16 de abril de 2011

Scott Westerfeld - Especiais


Ai, como eu amo essa série! Livro é um universo paralelo, uma nova dimensão onde absolutamente tudo pode acontecer e é possível, adoro livros e filmes que mostram um modo alternativo de viver. A série Feios aborda mais que uma nova dimensão, é tudo tão real e, felizmente, tão fácil de imaginar que qualquer desequilibrado (eu) rezaria pra que o mundo fosse realmente assim já que o mundo em que a gente vive é insuportavelmente entediante.

Confesso que eu esperava um pouco mais de Especiais já que Perfeitos foi totalmente borbulhante. Primeiramente não gostei muito de Tally ter sido transformada em especial, ou como é explicado em Especiais: uma cortadora. A impressão que deu foi que ela estava destinada a procurar eternamente pela cura - sendo que ela mesma podia se curar de tudo, sozinha, - fugir sempre e de alguma forma voltar às salas de cirurgia e começar tudo de novo. Em Especiais, ela se tornou uma cortadora, uma Especial dos especiais da Dra. Cable que resolveu criá-los após a revolução que Tally, Shay, Zane e alguns outros Crims criaram tentando se libertar da transformação em Perfeitos e da tentativa de fuga para a Fumaça. Os Cortadores têm toda liberdade em Nova Perfeição e em toda a cidade, o grupo é liderado por Shay e a missão deles é identificar enfumaçados infiltrados entre os Feios, os enfumaçados por sua vez tentam levar os feios para a Nova Fumaça (livrando-os então da cirurgia que os tornam perfeitos e alienados) e entregar pílulas de cura em Nova Perfeição. Zane, que teve sérios danos cerebrais causados pela ingestão da pílula de cura errada, está melhor, porém sua coordenação motora não foi estabilizada, entre outras coisas. Tally, com o sentimento de culpa e por achá-lo medíocre por ainda ser perfeito, quer que Zane se transforme em Especial para poderem ficar juntos e que ele possa ser curado de vez, então ela e Shay invadem o arsenal da cidade para a Dra. Cable pensar que Zane foi o responsável, fato que o tornaria sagaz e possivelmente resultaria na sua transformação em um Cortador Especial.

Como sempre, as coisas não acontecem como o planejado pra ninguém, nem nos livros caramba! e Tally acaba causando uma grande confusão e ajudando bastante na revolução do fascinante mundo de Scott Westerfeld. Após Tally e Shay invadirem o arsenal da cidade em busca de uma arma que libertaria Zane e possivelmente resultaria em sua transformação em Cortador, ambas acabam fugindo e sem querer, após uma série de fatos, acabam indo parar em Diego, uma cidade onde o governo aceita o Novo Sistema, ou melhor, Diego é a nova fumaça. Os Enfumaçados não residem mais no mato, ou nas ruínas dos enferrujados, mas nessa nova cidade que acolhe fugitivos de várias outras cidades, não controlam mentes e a moda é bem diferente da cidade de Tally. Bom, acontece mais uma série de fatos e Tally volta pra sua cidade, injeta a cura na Dra. Cable e logo após é presa novamente e quase sofre uma nova cirurgia, não fosse uma ajudinha básica que recebeu de... da Dra. Cable! Fiquei super surpresa, jurava que era David. Dra. Cable venceu a cura - nunca duvidei disso - e fez um discurso quase emocionante pra Tally. 

Tally continua especial e vai atrás de David, ambos não conseguem viver em cidades - Tally por ser uma Especial e especiais são criados pra viverem na natureza e David por nunca ter vivido em uma cidade, seu hábitat é mesmo a Fumaça, ruínas enferrujadas e a natureza em si. O mundo vem sofrendo uma transformação "mentes borbulhantes prestes a serem libertadas, e todas as cidades que vão finalmente despertar", mas esse novo mundo tem Tally e David como guardiões, ambos estão prontos para uma circunstância especial se essas novas mentes libertas resolverem derrubar árvores, represar rios, expandir suas cidades na natureza, etc. 

Vou só fazer um resumo do livro mesmo, quando Extras for publicado farei uma conclusão sobre a série. Algumas passagens e quotes:

Como Shay sempre dizia no treinamento, os avoados entendiam tudo errado: não importava a aparência da pessoa, e sim como ela se comportava como ela se via. Força e reflexos representavam apenas um aspecto da questão - Shay simplesmente sabia que era especial e, por isso mesmo, ela era. Os demais representavam apenas papéis de parede, um cenário fora de foco, um zumbido sem sentido, até que Shay jogasse a própria luz sobre eles.

- Você sente saudade da época em que era perfeita, Shay-la? - perguntou Tally. Elas só passaram alguns meses juntas no paraíso borbulhante antes que a situação ficasse complicada. - Foi meio divertido.
- Foi falso - respondeu Shay. - Eu prefiro ter um cérebro.
Tally suspirou. Não dava para discordar, mas ter um cérebro às vezes era motivo de tanto sofrimento.

A cidade cria os perfeitos do jeito que são para que sejam felizes e deixem o planeta em paz. Nós fomos transformadas em Especiais para enxergar o mundo de uma maneira tão perfeita que sua beleza quase dói e, assim sendo, para não deixarmos que a humanidade o destrua novamente.

Como alguém governaria uma cidade onde todo mundo fosse um Crim? Em vez de a maioria das pessoas seguir as regras, a população estaria sempre roubando e armando truques. Será que esse atos não evoluiriam para crimes de verdade, para violência sem sentido e até mesmo assassinatos, como na época dos Enferrujados?

Andrew Simpson Smith não era como a massa de feios e perfeitos como olhar bovino da cidade, as pessoas que não eram Especiais. Viver no mato o tornava igual a ela: um caçador, um guerreiro, um sobrevivente. Com as cicatrizes de dezenas de lutas e acidentes, ele quase parecia com um Cortador.

Essa era a principal lição que se aprendia no mato: nada era confiável, nem o próprio jantar. Não era como a vida na cidade, onde todas as quinas haviam sido arrendondadas, em que todas as varandas eram equipadas com um campo de força caso a pessoa caísse, e aonde a comida nunca vinha fervendo. 

- Eu realmente achei que você tinha mudado. Mas continua a mesma feia egoísta que sempre foi. É isso que é surpreendente sobre você, Tally. Mesmo a Dra. Cable e seus cirurgiões não têm a menor chance contra o seu ego.

A Nova Fumaça não era um acampamento qualquer escondido no mato, onde as pessoas cagavam em buracos no chão, comiam coelhos mortos e queimavam madeira como combustível. A Nova Fumaça estava bem ali, espalhada debaixo dela. 
Uma cidade havia se juntado à rebelião.

- Antes de virmos para cá, nós, Cortadores, conhecíamos o plano da Dra. Cable - disse Tachs. - Ela não quer destruir Diego, e sim transformá-la em uma cidade igual à nossa: rígida e controlada, onde todo mundo é um avoado.
- Quando a situação virar um caos - acrescentou Shay -, ela virá aqui assumir o controle.
- Mas as cidades não conquistam umas às outras! - disse Tally.
- Geralmente, não, Tally, mas não percebeu? - Shay virou para os destroços ainda em chamas da Prefeitura. - Fugitivos à solta, o Novo Sistema fora de controle, e agora o governo em ruínas... isto é uma Circusntância Especial.

Ela e Shay haviam começado aquela guerra estúpida, afinal. Pessoas normais e saudáveis não fariam uma coisa assim, fariam?
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